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MÉTODO GDS ... COM AS MÃOS NAS COSTAS

Mal terminou a Jornada Científica da APGDS 2011 no Rio de Janeiro (sucesso !!!) e lá venho eu com outro texto. Essa semana será o 14º de uma série que comecei a escrever em março de 2011. Nesses 6 meses, meu principal propósito foi apresentar o tema Método GDS de Cadeias Musculares e Articulares e sua rica bibliografia na mídia eletrônica. Para isso, desenvolvi uma narrativa de forma bastante lúdica e pessoal, me baseando em um conteúdo que já se encontra disponível em diversos livros e periódicos, no Brasil e em outros países. A SUMMUS EDITORIAL é a responsável pela publicação dos livros no Brasil desde 1995. Ao todo, são 7 livros, dos quais 5 são de autoria de Philippe Campignion, diretor mundial da formação Biomecânica do Método GDS e presidente da associação internacional (APGDS).


Minha pretensão, desde o início, não foi de forma alguma dar um curso de formação "on-line". Contudo, gostaria de fazer uma ressalva. Nos últimos anos, tem sido o papel de nosso mestre Campignion, o aperfeiçoamento do material didático dos cursos e a manutenção de uma unidade na transmissão do conteúdo que é ministrado nos diversos países do mundo. Além disso, ele tem se dedicado à conclusão de sua obra relacionada à biomecânica do Método GDS. Em seus livros, Philippe Campignion nos revela de modo bastante didático as marcas musculares próprias de cada uma das cadeias postas em evidência por Godelieve Denys Struyf. Através de textos, imagens e esquemas bastante didáticos, o autor nos permite entrar nesse universo biomecânico, facilitando a compreensão da noção de terreno de predisposições. Isto é, as particularidades psicomotoras próprias de cada indivíduo. À propósito, o terreno será o assunto dessa nossa discussão de hoje ! 



Como diria Thiago, meu cunhado, "perco o amigo mas não perco a piada", ou melhor, nesse caso, a brincadeira ! Sendo assim, vou desenvolver o nosso tema de uma outra forma. Serão apenas 3 perguntas. OK ? Vamos a elas.



1- Godelieve Denys Struyf criou o Método de Cadeias Musculares e Articulares GDS. São conhecidas 6 cadeias musculares (AM, PM, PA, AL, PL e AP). Quantas são as cadeias articulares ?
(a) 1
(b) 5
(c) 6


2- Ao iniciarmos uma análise postural segundo o Método GDS, verificaremos na posição de pé em perfil, o "FLASH", ou melhor, a pulsão psicocomportamental. Qual a finalidade de se verificar a pulsão ?
(a) Estimar a proporção entre as três estruturas do eixo da personalidade fundamental.
(b) Compreender o modo de funcionamento adotado pelo paciente (ou aluno) no momento.
(c) Avaliar a ação das cadeias musculares em seus feudos e residências.



Essa última pergunta, eu tenho certeza que você vai conseguir resolver ... "com as mãos nas costas".


3- Um paciente se queixa de dor lombar à direita. Na avaliação segmentar da bacia, observamos no plano sagital nutação dos ilíacos, porém, mais predominante à esquerda. Na visão anterior, encontramos o ilíaco globalmente mais elevado do lado direito. Nos testes micropalpatórios em decúbito ventral, verificamos o osso sacro vertical sem fixação e as duas articulações do quadril bloqueadas em rotação lateral. Além disso, o ísquio à esquerda ligeiramente mais afastado. A coluna lombar estava transladada à esquerda e com ligeira posteriorização dos processos transversos no lado esquerdo. Qual a análise mecânica postural deste sintoma lombar à direita ?
(a) Lombalgia de característica AM
(b) Lombalgia de característica PL
(c) Lombalgia de característica AL



Resposta 1 - Uma cadeia articular do tronco e mais quatro cadeias articulares dos membros. Total de cinco, letra (b)


Resposta 2 - Compreender o modo de funcionamento preferencialmente adotado pelo paciente no momento da avaliação. Outra letra (b)


Resposta 3 - Também letra (b). Você poderá encontrar toda a explicação teórica desta questão e as respectivas figuras didáticas nas páginas 88 e 89 do livro Campignion P. Cadeias Posterolaterais - Cadeias Musculares e Articulares - Método G.D.S. São Paulo: Summus; 2009.


Eu farei um breve resumo, mas não deixe de acompanhar no livro.
 

O quadro apresentado na pergunta 3 poderia nos fazer pensar, inicialmente, em uma questão AL, já que esta cadeia é dominante à direita. Mas, não é este o caso, já que trata-se de um efeito secundário de um desequilíbrio que começou, precisamente à esquerda. Vou explicar melhor.


A desorganização lombar por PL, à esquerda, colocará sob tensão o ligamento iliolombar no plano sagital devido à nutação do ilíaco. A mecânica PL fará com que o ísquio à esquerda esteja mais afastado que o direito no plano frontal, devido aos músculos pelvicotrocanterianos que trabalham em "corda de arco". Além do afastamento do ísquio, encontraremos a articulação do quadril bloqueada pela rotação lateral do fêmur. O músculo quadrado lombar, da cadeia AP, à esquerda, que deveria trabalhar em alternância de ponto fixo, só poderá ser recrutado na direção de um ponto fixo no ilíaco e, por isso, transladará a coluna lombar à esquerda e posteriorizará o processo transverso, também à esquerda. Tudo isso com o intuito de proteger o ligamento que estará hiperestirado. Essa situação colocará, secundariamente, o ligamento iliolombar, agora do lado direito, em tensão. O músculo quadrado lombar direito, passará a trabalhar com o ponto fixo na coluna, diferente do que ocorre no lado esquerdo. Assim, a única possibilidade de recuperar o comprimento do ligamento para a diminuição do quadro álgico, será pela ativação do músculo latíssimo do dorso. Este músculo terá como função trazer o ilíaco cranialmente para aproximá-lo da coluna lombar.


O corpo deu o seu jeito para se proteger da dor lombar... mas gerou um outro desequilíbrio produzindo novas escaladas de tensão.


Acabei de ler o seu pensamento. Você está me perguntando por que não é uma lombalgia AL.


Fisiologicamente, em AL observamos, do lado direito, a espinha ilíaca posterosuperior mais cranial quando comparada com a esquerda, já que, no plano sagital, AL age contranutando o ilíaco. No plano frontal, por sua vez, ocorre um afastamento das espinhas ilíacas anterosuperiores, também mais afastada à direita, sem contudo, alterar a posição dos ísquios bilateralmente. Porém, em uma contranutação ilíaca excessiva (AL +++) são colocados sob tensão os ligamentos sacroiliacos posteriores e anteriores à direita e não os iliolombares. A tensão nos ligamentos sacroilíacos poderá ser ainda maior caso o osso sacro esteja sob influência de AM, ou seja, um sacro mais vertical e fixado entre os ilíacos. Como AL domina à direita e por sua vez, o ilíaco estará mais contranutado deste lado, as fibras profundas do glúteo máximo da cadeia PM protegerão a distensão ligamentar deste lado e tomarão ponto fixo em baixo (no fêmur direito) para tentar verticalizar o ilíaco. Se ficou alguma dúvida quanto a essa mecânica, procure nas páginas 74 e 75 do livro Campignion P. Cadeias Ântero-laterais - Cadeias Musculares e Articulares - Método G.D.S. São Paulo: Summus; 2008.



Resumindo, a distensão do ligamento iliolombar, seja à esquerda ou à direita, com translação e posteriorização da transversa à esquerda, lombalgia PL. PA-AP também desenvolve terreno para distensão dos ligamentos iliolombares, tanto à esquerda quanto à direita. Mas, neste caso, observaremos a hiperlordose diafragmática-psoítica.  Não se esqueça de que PA-AP pode estar combinada com PL ! Estas questões já te permite fazer uma reflexão: se tenho diferentes terrenos, por onde devo iniciar a minha abordagem terapêutica ?


Teremos uma lombalgia AL se for pela distensão dos ligamentos sacroilíacos posteriores e anteriores à direita. Bem... não podemos esquecer que as outra cadeias também desenvolvem lombalgias. A sintomatologia sacroilíaca pode ser à esquerda. Certo ? Você deverá fazer um outro tipo de investigação. Que tal pensar em uma cadeia muscular que é mais ativa neste lado do corpo ? PM não poderia produzir a horizontalização e o desencastramento do sacro entre os ilíacos ? Distensão do ligamento axil e AL contranutando o ilíaco para recuperar.  Se esse desequilíbrio da PM na bacia aguçou sua curiosidade, certamente você poderá encontrar suas respostas no novo livro de Philippe Campignion que será lançado ano que vem, no III Congresso Internacional da APGDS.


Pense, agora, no excesso de PL na bacia à esquerda em um indivíduo com grande potencial AM. Neste caso, encontraremos ação dos músculos do períneo fechando o ísquio à direita, associados ao coccígeo e piriforme torcendo o sacro. Observaremos na coluna lombar a translação e posteriorização da transversa, porém, diferente do que descrevi em PL. Com AM será do lado direito, mas isso é uma outra estória. Mas desta vez, você poderá solucionar as suas dúvidas nas páginas 78 e 79 do livro Campignion P. Cadeias Anteromedianas - Cadeias Musculares e Articulares - Método G.D.S. São Paulo: Summus; 2010. Aproveite para acompanhar os desenhos criados por Philippe Campignion para explicar essa mecânica.


As hérnias e antelisteses também são quadros clínicos que podemos associar aos terrenos. Aliás, nosso raciocínio biomecânico GDS se apóia, sobremaneira, na análise dos terrenos. A antelistese de PA-AP você pode encontrar no livro Campignion P. Respir-Ações. São Paulo: Summus; 1998, página 68. Já a de terreno PM sobre uma tipologia AM, nas páginas 28 e 29 do livro, Campignion P. Aspectos Biomecânicos - Cadeias Musculares e Articulares - Método G.D.S. - Noções Básicas. São Paulo: Summus; 2003.



Depois de todo esse assunto "mastigado", falta agora "digeri-lo" ! Uma vez que podemos encontrar cenários tipológico diversos, já é possível perceber que um mesmo sintoma pode se configurar de diferentes formas ? Então, para reorganizar e devolver a função justa é imprescindível, antes de tudo, compreender os terrenos de predisposição (AM, PM, PA, AP, AL e PL). Isso é fundamental ! Em seguida, determinar o fio condutor de sua proposta terapêutica. Eu afirmo que este raciocínio desenvolvido por Godelieve Denys Struyf te facilitá a encontrar as relações de controle e complementaridade próprias para o seu paciente. Agora, esqueça os protocolos. Não coloque seu paciente em uma forma tirando-lhe qualquer possibilidade de adaptabilidade psicocorporal. Lembre-se de que podemos nos expressar de diferentes maneiras e o que pode ser considerado um modo aceitável para uma pessoa poderá ser extremamente desorganizante para uma outra. Por fim, todo esse assunto é conteúdo do Módulo I (pelve e membro inferior) das Estratégias de tratamento (ciclo IV da formação GDS) com o Professor Bernard Valentin (Bélgica) e equipe. Agora, é preciso tirar as "mãos das costas" e colocá-las sobre os livros.



Bons estudos !


Antes de fechar o texto de hoje, já que falamos de desequilíbrios mecânicos que ocorrem na bacia e coluna lombar, recordo que no período de 24 a 26 de agosto de 2009, no Rio de Janeiro, os sócios da APGDS tiveram a oportunidade de participar de um curso de pós-formação com o Professor francês Dominique Chaland - "A Escoliose vista pelo Método GDS". O Método GDS tem um olhar bastante peculiar sobre essa patologia, baseado-se no estudo da assimetria fisiológica que é inerente a todos nós. Assim, o Método preconiza que o que ocorre, na maior parte dos casos de escoliose é uma exacerbação desta assimetria que tanto tenho mencionado nestes textos. Esta visão questiona, inclusive, o caráter "idiopático" atribuído a tantos tipos de escolioses. Nosso professor apresentou esta visão, esclarecendo diversas lacunas no diagnóstico e tratamento de alguns casos, especialmente no que tange à diferenciação entre uma verdadeira escoliose e uma atitude escoliótica.



Foram dias intensos de curso, reencontro com amigos da formação básica e um grande prazer de conviver com Jane e Dominique em minha casa. Boas lembranças das ondas na praia de Guaratiba, almoço no mirante com direito a algumas abelhas e os beija-flores na serra de Teresópolis !!!


Até a próxima.

Alexandre de Mayor.



Bibliografia

. Denys-Struyf G. Cadeias Musculares e Articulares - O Método G.D.S. São Paulo: Summus; 1995.

. Campignion P. Respir-Ações. São Paulo: Summus; 1998.

. Campignion P. Aspectos Biomecânicos - Cadeias Musculares e Articulares - Método G.D.S. - Noções Básicas. São Paulo: Summus; 2003.

. Campignion P. Cadeias Ântero-laterais - Cadeias Musculares e Articulares - Método G.D.S. São Paulo: Summus; 2008.

. Campignion P. Cadeias Posterolaterais - Cadeias Musculares e Articulares - Método G.D.S. São Paulo: Summus; 2009.

. Campignion P. Cadeias Ântero-laterais - Cadeias Musculares e Articulares - Método G.D.S. São Paulo: Summus; 2008.

. Kapandji IA. Physiologie articulaire: schémas commentés de mécanique humaine. Paris: Maloine; 1999.

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